20/01/2014 - Previsão de energia natural afluente recua em 20 GW médios em janeiro - Portal PCH

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20/01/2014 - Previsão de energia natural afluente recua em 20 GW médios em janeiro

Estimativa inicial era de mais chuvas no mês, mas previsões recuaram e o CMO para as duas semanas que restam está acima de R$ 400 por MWh

O aumento pela terceira semana do Preço de Liquidação de Diferenças reflete o recuo das estimativas de energia natural afluente entre a previsão do início de janeiro feita pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico e o efetivamente verificado até o momento. A diferença entre as estimativas apresentadas do fechamento da ENA no início do mês e na revisão 3 do Programa Mensal de Operação é de 20 GW médios a menos de energia afluente no sistema, ou um terço da carga do SIN.

De acordo com o documento publicado pelo ONS, no início de janeiro a previsão do fechamento da energia natural afluente para a região Sudeste era de 96% e de 120% no Nordeste. A revisão desta sexta-feira, 17 de janeiro, reduziu esses volumes a 60% e a 76%, respectivamente. Como consequência, a média semanal do Custo Marginal de Operação para a quarta semana de janeiro ficou em R$ 407,54 por MWh em todos os submercados. Para a semana seguinte esse valor está um pouco menor, R$ 405,09 por MWh.

A redução da previsão de ENA nos reservatórios não foi exatamente uma surpresa para a Trade Energy. O diretor da comercializadora, Luís Gameiro, afirmou que já estava prevista a redução de chuvas para essas semanas, contudo, destacou, a previsão pode mudar de um dia para o outro. Por isso, é necessidade ver e rever os dados, pois o que se prevê hoje poderá mudar para amanhã. O problema todo vem para aqueles consumidores que possuem algum tipo de exposição ao Mercado de Curto Prazo.

De acordo com o diretor da PSR Consultoria, Luiz Barroso, com esta situação os maiores afetados são as distribuidoras que ainda continuam com uma importante parcela da demanda descontratada. Além disso, os geradores contratados também podem ver resultados negativos caso a energia alocada pelo MRE seja inferior aos volumes contratados e que assim precisam recorrer ao mercado de curto prazo. Do outro lado, explica ele, nem todos perdem, pois afeta positivamente todos que estejam "long" em seus contratos.

Na avaliação de Gameiro, no ACL, esse patamar de CMO indicado pelo ONS dá um sinal de preços de longo prazo mais alto e acaba dificultando a migração de consumidores para o mercado livre. Mas, lembrou ele, o cenário pode mudar assim como o tempo varia. Contudo, a tendência é de cada vez mais termos geração térmica na base da nossa matriz em função da incorporação da CVaR na formação de preços.

Walter Fróes da CMU Comercializadora vai além e afirma que os preços deverão ficar em um patamar alto. Ele baseia sua análise no fato de que no decorrer de 2013 o país passou por um intenso despacho térmico e, mesmo assim, a recuperação dos reservatórios ficou abaixo do que se esperava.

“Essa é uma questão estrutural e não somente conjuntural por conta do regime hidrológico”, afirmou ele. “A opção política em não termos mais grandes hidrelétricas com reservatórios está reduzindo nossa capacidade de regularização plurianual, estamos caminhando para um cenário de termos apenas três meses de reserva em nossas usinas”, apontou. Segundo ele, as chuvas desde dezembro vieram em nível abaixo e que esse fator coloca em dúvida se os reservatórios poderão se recuperar, mesmo se fevereiro, um mês onde historicamente se tem o maior volume de chuvas, ficar dentro da média de longo termo.

Barroso avalia que a forte variabilidade das projeções vistas este mês leva à volatilidade do PLD. “A razão é que as decisões de despacho semanais, e o PLD, são baseadas em um modelo computacional que é baseado em uma previsão semana para as primeiras quatro semanas de cada mês”. E continua, “Quando se tem uma incerteza superior a 25% da MLT nas vazões, a previsão semana pode variar brutalmente, e assim, introduz muito ruído e pouco sinal nas decisões de despachos semanais e , consequentemente, volatilidade no PLD causada exclusivamente por incerteza na projeção de vazões semanais”.

(Nota da Redação: A matéria foi alterada às 14 horas de domingo, 19 de janeiro de 2014, para corrigir as referências a energia armazenada para energia natural afluente)

Fonte: Mauricio Godoi | Agência CanalEnergia